14/09/2011

Relembro um amor bom e doce, um amor que trazia o cheiro a pêssego no cabelo áspero e preto, que desenhava girassóis na minha barriga, que me sussurrava a poesia do John Keats nos jardins floridos da Primavera, um amor com quem ouvi My Dying Bride pela primeira vez.
Há memórias intransponíveis, o elixir da juventude; sentir a Primavera chegar e esquecer-me de ti, ouvir sonetos e esquecer-me de ti, adormecer ao som de My Dying Bride e esquecer-me de ti, pensar em amor bom e doce e não lembrar-me de ti.
No dia em que partiste, disseste: "No meu corpo, ainda o eco do teu." Nesse dia eu soube que nós nunca sobreviveríamos à verdade mas à medida que me afastava, tive a certeza que em mim sobreviveria para sempre um eco de ti; bastar-me-ia sentar-me nas margens do corpo e escutar a brisa harmoniosa e doce vinda do sul e que corresse nessa direcção.

1 comentário:

João Roque disse...

Que bem que escreves...

 
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